Eu a conhecia desde sempre. Éramos melhores amigos e eu sentia como se fosse meu dever protegê-la, já que ela era meio desregulada.
Estava andando pela avenida principal do meu bairro quando a vi. Ela estava sentada na calçada e ria de um gari que limpava a calçada do outro lado da rua. Fui até ela e suspirei.
- Você está bêbada de novo, não está? – perguntei e ela me encarou, seu rosto vermelho e seu cabelo totalmente bagunçado. – Vem, vamos para casa – eu disse e a coloquei de pé. Comecei a andar e a puxar pela mão, forçando-a gentilmente a me acompanhar.
- Me solta! Me deixe viver minha vida! – ela disse quase gritando e me fuzilando com o olhar. Logo depois, explodiu em uma gargalhada estrondosa e tão intensa que lágrimas escorriam por seu rosto. – Aonde estamos indo?
- Para sua casa – eu disse simplesmente e continuei a andar.
Depois de alguns minutos, chegamos. A deixei sentada no sofá e fiz um café forte. Se os pais dela descobrissem que ela estava bêbada de novo, iriam mandá-la para um colégio militar no Texas.
O tempo ia passando e sua ressaca também. Aos poucos ela começou a pensar mais racionalmente e dizia coisas mais coerentes.
- Porque você continua me ajudando? Quero dizer, eu sempre faço tudo errado e você está lá para mim – perguntou ela de repente.
- Ah, você sabe que eu te considero uma irmã desregulada – eu disse e ela me abraçou.
- Obrigada.
- Você está fedendo a cigarro – eu disse acusadoramente e ela riu. – É sério.
- Certo, eu confesso. Eu fumei um baseado – ela disse dando de ombros.
- Você não tem jeito mesmo – eu disse e ela revirou os olhos, o que me fez rir.
terça-feira, 21 de abril de 2009
O vale
Não muito tempo atrás havia um rapaz.
Um jovem rapaz de cabelos emaranhados, pele clara e olhos distantes. Esse mesmo jovem era um andarilho do vale do conhecimento, de onde colhia seus frutos e todos os dias lutava para sair vivo e são de dentro das trevas da ignorância.
Claro que nem todos conhecimentos eram bons. Alguns dos conhecimentos, apesar de atraentes, eram prejudicias e perturbadores. Todos que adentravam o vale em busca de seus frutos ignoravam alguns deles, com medo do que poderiam trazer se tocados, mas o jovem não temia conhecimento algum, era ambicioso demais pela unica coisa que considerava importante em sua vida.
Alguns anos depois, tempo suficiente para conhecer o sabor dos mais variados frutos, o rapaz recebeu a visita de um velho senhor.
Após algumas pancadas na porta, sem resposta, o senhor adentrou o local murmando desculpas e viu o corpo inchado do garoto rodeado de seus frutos.
O velho fechou os olhos e balançou a cabeça de maneira negativa duas vezes, levando a mão aos olhos.
O velho senhor passou a mão pela barriga do garoto, retirando diversas sementes.
Jogou-as no bolso e volto para sua moradia.
O vale.
Um jovem rapaz de cabelos emaranhados, pele clara e olhos distantes. Esse mesmo jovem era um andarilho do vale do conhecimento, de onde colhia seus frutos e todos os dias lutava para sair vivo e são de dentro das trevas da ignorância.
Claro que nem todos conhecimentos eram bons. Alguns dos conhecimentos, apesar de atraentes, eram prejudicias e perturbadores. Todos que adentravam o vale em busca de seus frutos ignoravam alguns deles, com medo do que poderiam trazer se tocados, mas o jovem não temia conhecimento algum, era ambicioso demais pela unica coisa que considerava importante em sua vida.
Alguns anos depois, tempo suficiente para conhecer o sabor dos mais variados frutos, o rapaz recebeu a visita de um velho senhor.
Após algumas pancadas na porta, sem resposta, o senhor adentrou o local murmando desculpas e viu o corpo inchado do garoto rodeado de seus frutos.
O velho fechou os olhos e balançou a cabeça de maneira negativa duas vezes, levando a mão aos olhos.
O velho senhor passou a mão pela barriga do garoto, retirando diversas sementes.
Jogou-as no bolso e volto para sua moradia.
O vale.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Seus lindos olhos
- Puff puff puff...
Mas que merda, não?
Mais uma noite dessas e eu vou procurar ajuda...
Claro que não é apenas a garota sem rosto que me incomoda... O cheiro da grama sob meus pés, o leve toque de seus dedos quentes nos meus e aquela leve brisa batendo em minha péle...
Tudo tão ridiculamente perfeito e real.
Pensando bem... Incomodo?
Mas isso realmente nos confunde... Nos deixa inquietos...
Se não fosse o problema de minhãos mãos com sangue...
Também tem o cheiro engraçado de enxofre faz meus olhos lacrimejarem... Mas não é sempre, claro.
Gente morta estúpida... Hehe... Como aquela garota faz isso?
Não nos importa, na verdade...
Sei que ela virá um dia para cá... Basta sermos dóceis, certo Lu?
Certo... Eu sei que estou...
Bem... Vou pensar pela manhã o que farei com mais este corpo na minha cama...
Agora vou voltar a dormir... Precisamos dela... Ela está nos chamando... Não podemos ser deselegantes, certo?
Mas que merda, não?
Mais uma noite dessas e eu vou procurar ajuda...
Claro que não é apenas a garota sem rosto que me incomoda... O cheiro da grama sob meus pés, o leve toque de seus dedos quentes nos meus e aquela leve brisa batendo em minha péle...
Tudo tão ridiculamente perfeito e real.
Pensando bem... Incomodo?
Mas isso realmente nos confunde... Nos deixa inquietos...
Se não fosse o problema de minhãos mãos com sangue...
Também tem o cheiro engraçado de enxofre faz meus olhos lacrimejarem... Mas não é sempre, claro.
Gente morta estúpida... Hehe... Como aquela garota faz isso?
Não nos importa, na verdade...
Sei que ela virá um dia para cá... Basta sermos dóceis, certo Lu?
Certo... Eu sei que estou...
Bem... Vou pensar pela manhã o que farei com mais este corpo na minha cama...
Agora vou voltar a dormir... Precisamos dela... Ela está nos chamando... Não podemos ser deselegantes, certo?
domingo, 19 de abril de 2009
Uma noite no parque
Eram duas horas da manhã e eu ainda estava acordada, vendo televisão e esperando o sono chegar. Meus pais, no quarto ao lado, já dormiam profundamente há horas.
Algumas horas antes eu havia mandado meu irmãozinho ir dormir e ele foi, emburrado.
De repente, meu celular começou a tocar. O visor mostrava a palavra “desconhecido” ao invés de algum número. Achei estranho, mas atendi.
- Venha ao parque ao lado de sua casa em dois minutos ou seu irmãozinho sofrerá as consequências – disse uma voz masculina em tom ameaçador.
Peguei meu casaco e saí porta a fora. Em menos de um minuto eu já estava no tal parque. Lá estava vazio e silencioso, mas de um modo tranquilo, não aterrorizante.
As luzes dos postes do outro lado da rua iluminavam uma parte do parque, e a outra era tomada pela neblina. Sentei em um banco e esperei por alguém ou outras instruções, qualquer coisa. Mas nada apareceu.
Eu já estava naquele banco há mais de meia hora quando ouvi um farfalhar suspeito nas árvores atrás de mim. Me virei mas não encontrei nada.
Quando olhei para frente novamente, avistei um vulto encapuzado parado do outro lado da rua, apenas me observando. Ouvi o barulho nas árvores de novo e involuntariamente olhei na direção do ruído. Nos instantes seguintes o vulto apareceu ameaçadoramente na minha frente.
Meu coração disparou e eu estava preparada para soltar um grito apavorado, mas uma mão mais branca do que qualquer uma que eu já vi se estendeu e tapou minha boca.
Entrei em total pânico e tentei de todo jeito me soltar daquelas mãos saindo da escuridão que era o conjunto de sua túnica preta com a falta de luz do parque.
O homem tirou uma faca brilhante e prateada de dentro do manto que o cobria e a apontou em minha direção.
Ele começou a me cortar, amputanto dedo por dedo. Quando acabou de me desmembrar, foi embora e me deixou lá, sem braços ou pernas, criando poças com meu sangue.
Esperei pela morte enquanto sangrava abandonada no chão daquele parque. A dor já nem me incomodava mais, a agonia havia tomado totalmente seu lugar. A última coisa que vi foi o Sol nascendo e iluminando aos poucos o lugar tomado pela neblina e as poçãs com meu sangue abaixo de mim.
Algumas horas antes eu havia mandado meu irmãozinho ir dormir e ele foi, emburrado.
De repente, meu celular começou a tocar. O visor mostrava a palavra “desconhecido” ao invés de algum número. Achei estranho, mas atendi.
- Venha ao parque ao lado de sua casa em dois minutos ou seu irmãozinho sofrerá as consequências – disse uma voz masculina em tom ameaçador.
Peguei meu casaco e saí porta a fora. Em menos de um minuto eu já estava no tal parque. Lá estava vazio e silencioso, mas de um modo tranquilo, não aterrorizante.
As luzes dos postes do outro lado da rua iluminavam uma parte do parque, e a outra era tomada pela neblina. Sentei em um banco e esperei por alguém ou outras instruções, qualquer coisa. Mas nada apareceu.
Eu já estava naquele banco há mais de meia hora quando ouvi um farfalhar suspeito nas árvores atrás de mim. Me virei mas não encontrei nada.
Quando olhei para frente novamente, avistei um vulto encapuzado parado do outro lado da rua, apenas me observando. Ouvi o barulho nas árvores de novo e involuntariamente olhei na direção do ruído. Nos instantes seguintes o vulto apareceu ameaçadoramente na minha frente.
Meu coração disparou e eu estava preparada para soltar um grito apavorado, mas uma mão mais branca do que qualquer uma que eu já vi se estendeu e tapou minha boca.
Entrei em total pânico e tentei de todo jeito me soltar daquelas mãos saindo da escuridão que era o conjunto de sua túnica preta com a falta de luz do parque.
O homem tirou uma faca brilhante e prateada de dentro do manto que o cobria e a apontou em minha direção.
Ele começou a me cortar, amputanto dedo por dedo. Quando acabou de me desmembrar, foi embora e me deixou lá, sem braços ou pernas, criando poças com meu sangue.
Esperei pela morte enquanto sangrava abandonada no chão daquele parque. A dor já nem me incomodava mais, a agonia havia tomado totalmente seu lugar. A última coisa que vi foi o Sol nascendo e iluminando aos poucos o lugar tomado pela neblina e as poçãs com meu sangue abaixo de mim.
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